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  • Foto do escritorProf. Carlos Pimenta

Arte Marcial Russa e a Neuroplasticidade

Atualizado: 21 de mar.




Neuroplasticidade, também conhecida como plasticidade neuronal ou cerebral, refere-se à capacidade do sistema nervoso central de adaptar-se e moldar-se a novas situações, e vai muito além da criação, regeneração ou rearranjo de conexões neurais.

Essa capacidade de associação e adaptação as variáveis do meio, de forma relativamente rápida e criativa, nos fizeram de criaturas frágeis e pouco aparelhadas galgar o topo da “cadeia alimentar”, com toda a responsabilidade do ônus e bônus.

A capacidade do cérebro, entre outras coisas, de gerenciar novas conexões neurais de forma engenhosa, simbólica (com armazenamento de representações complexas e de significado múltiplo para um mesmo objeto) e fenomenológica (incluindo também sensações e sentimentos), de associação livre e desimpedida, armazenamento de informações em partes distintas porém distribuídas de forma a mitigar eventuais perdas de funcionalidade (por exemplo, em caso de lesões) e sua recuperação rápida proporcionou as maravilhas que hoje vemos em nossa civilização.

Não é de se estranhar que toda esse potencial se manifestasse na forma de diferentes artes, inclusive no universo das Artes Marciais e seus desmembramentos, a saber, tanto na “filosofia” (ensinamentos) e parte operacional (física) quanto na parte de saúde, no binômio mente-corpo.

Neste quesito, na minha opinião todas as Artes Marciais são boas e têm seus méritos dentro de suas variações de proposta, mas do ponto de vista neuroplástico não vi outra igual a Arte Marcial Russa (Systema).

O presente texto não tem a intenção de fechar questão sobre o assunto, mas somente ilustrar porque, na minha opinião, entendo que a metodologia e prática da Arte Marcial Russa é uma atividade estimulante em neuroplasticidade e para não me estender muito, me permitirei extrair alguns tópicos, do que eu considero mais relevantes, e comentar de uma maneira super resumida.   Entre tantos, podemos citar:

  • Metodologia de ensinamento num processo de aprendizado mais segmentado, natural, integrativa, desta forma, tanto o professor quanto o praticante precisam raciocinar em cima da uma proposta pedagógica da aula, em cima da construção de um conhecimento progressivo e não de uma resposta “pronta”. Para isso um processo de comunicação bem elaborado, claro, e preciso precisa existir da parte do Professor, com feedback do aluno (se entendeu mesmo a proposta). Comunicação clara e fluida exige processos cognitivos aprimorados.

  • Foco em resolução de problemas e análise situacional. Aumenta o senso crítico e estratégico e promove maior ativação cerebral para análise rápida e assertiva.

  • Construção de soluções diferentes para problemas parecidos. Incentiva e promove conexões neurais diferentes e criativas para gestão do de espaço, ambiente, pessoas, objetos, entre outras.

  • Incita a prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo (corpo, respiração, movimentação, estrutura corporal, etc.) própria e dos outros, além de fazer e gerenciar "previsões futuras" (movimentos seus e do oponente).

  • Progressão do conhecimento em espiral crescente nos Fundamentos, tanto no autoconhecimento corporal quanto de percepção e subjetividade (vide fig.1 - a Roda do Systema).      

  • Como o Systema trabalha em termos de princípios e não de “golpes” necessariamente o praticante precisa se esforçar em entender e dominar os princípios. Desta forma se promove conexões neurais relevantes e ligadas com os demais princípios.



Fig. 1 – Roda dos Princípios do Systema (lado de fora aspectos macro e para dentro

mais subjetivos).


  • Força o praticante a focar no presente, no que está fazendo.  

  • Estimula das funções cognitivas e de percepção ao mesmo tempo.

  • Promove a criação e reforço de boas conexões e redes neurais.  

  • Convida o praticante a prestar atenção em emoções e sensações e gerencia-las, tanto sua como dos outros.

  • Promover desafios progressivos em complexidade visando a “simplicidade”, ou seja, estimula o processo criativo saindo da incompetência inconsciente par a competência inconsciente (internalização e fluência inconsciente).  



Fig. 2 - Estágios do Aprendizado.


  • Estimula o praticante a adaptar o conteúdo passado em aula para uso em situações do dia a dia, em que haja situações de conflito, tais como no trabalho, escola, reuniões, família, etc. em que possa haver uma situação de conflito, mas não necessariamente físico.


Levando em conta os aspectos mencionados acima podemos entender que o Systema em seu modo de ensinar e praticar é uma atividade “muito” neuroplastica  e desafiadora, pois faz a pessoa ter que prestar atenção no aqui é agora, no que está fazendo e nos inúmeros pontos que até mesmo uma simples "técnica" propõe, como por exemplo:  controle emocional, respiração, conhecimento e posicionamento  corporal em planos,  níveis no espaço, administração  da tensão corporal, previsões futuras, entre outros. Obviamente pode-se fazer de qualquer jeito ou “na base da relação estímulo-resposta”, mas obviamente o rumo a maestria se dá ao prestar atenção e gerenciar todas essas coisas enquanto se faz o seu melhor, obviamente cada um dentro da etapa de evolução em que se encontra.


A metodologia de ensino é, pelo menos em nossa escola, montada de maneira progressiva, adicionando conhecimento a cada etapa, do simples ao mais complexo de uma forma natural. A ideia, como sempre digo, é formar “sinapses” de forma tranquila e sem pressão, do jeito que a pessoa consegue para aquela etapa do seu conhecimento e não da maneira que “eu ou como outros os professores fazem”. Dentro do princípio estudado, encontrar o seu meio de fazer, com as características do seu corpo físico e emocional. Esse é um trabalho profundo de autoconhecimento e não de sair copiando.


Desta forma, o aluno é como que obrigado a fazer um trabalho investigativo de si mesmo e da proposta da aula, exigindo a todo tempo a capacidade de entendimento, de fazer uma leitura dos princípios e fazer, mudar e se adaptar constantemente. Esse treino de mudar constantemente, não tendo nada “fixo” (por exemplo, golpes pré-formatados) incentiva o pensamento não linear, pois a priori não existe padronização ou regras fixas.


Como um profissional que foi da área de Sistemas e Processos e principalmente do ponto de vista da didática, entendo que o processo é mais importante do que o resultado. Um processo bom vai gerar um bom e consistente resultado, idem para o mais refinado.  Se o processo for de “copiar” haverá bons “copiadores”, se for de “pensar”, formará excelentes “pensadores” (embora pensar seja mais difícil porque exige mais gasto energético pelo cérebro, esse é um dos motivos das pessoas acharem que Systema é “difícil”). 


O ponto a ser chegado é aguçar a capacidade de criatividade e improvisação. Improvisar não é fazer qualquer coisa de qualquer jeito, onde se obtém qualquer resultado (desejado ou não).


Para improvisar, como por exemplo na música, você precisa ter muito conhecimento, criatividade, adaptação, tomar decisões rápidas e certas (ou quando erradas mudar rápido), nem sempre de maneira racional, mas deixar que o inconsciente o faça, de forma mais rápida e assertiva.


O auge da capacidade de mudar e reorganizar  é quando os processos saem de automáticos para autômatos. Novas sinapses, novas redes neurais, novo aprendizado, novo poder de ação e enfim “sensação” de Liberdade (individual a cada pessoa).  Essa capacidade de mudar... e mudar rápido gera novas redes e conexões, criando e reorganizando a biblioteca de conhecimento neural dos praticantes, e com o passar do tempo, tudo isso fica automatizado e cada vez mais simplificado (menos “rebuscado”) proporcionando que o conhecimento fique mais livre e fluído, por exemplo, fazendo “menos coisas” para ter o mesmo resultado desejado.  


Esse é a ideia: reforçar a “musculatura” cerebral, não enrijecendo, mas refinando em qualidade e velocidade de mudança (plasticidade), sem julgamentos e promovendo sempre o senso de realização, autoestima e completude.


Quer comprovar ou refutar o que digo? Desafie-se e venha treinar !


“Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade.” (Charles Chaplin)


“Tudo que a mente humana pode conceber, ela pode conquistar”.  (Napoleon Hill)


Prof. Carlos Pimenta (Empresário, Hipnólogo Clinico especializado em Doenças e Dores Crônicas Emocionais, Acupunturista e Massoterapeuta, Terapeuta Integrativo entre outros, Instrutor Pleno de Systema - Arte Marcial Russa, Psicanalista)

Instagram: @espacoterapiasassociadas e @prof.carlos.hipnoterapia

WhatsApp: (11) 9.7598-8001 Fone: (11) 3021-6769 / 3871-9533




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