Blog do Espaço Funcional 

Postagens rápidas e focadas para quem tem pressa.

Qual é melhor maneira para desarmar uma pessoa?

 

Você sabia que  que 70% de tudo que tem na internet de “dicas” e infográficos (desenhos ou fotos) e Youtube (pelo menos o que eu vi até hoje), sobre desarme de armas (seja ela qual for) compromete em muito a segurança de quem está executando os "golpes"?
Para olhos mais atentos em muitos deles (por mais que estes tenham sido feitos com a melhor das intenções) existe sempre uma brecha na qual o agressor pode e na vida real vai ajustar e “revidar”, talvez não na sua primeira “reação”, mas em uma próxima.  

 

Recebi esta pergunta outro dia e pensando de uma forma mais abrangente posso entender e responder esta pergunta de 2 maneiras diferentes, mas com uma mesma linha de raciocínio e dentro do contexto do Systema (Arte Marcial Russa).

 

A primeira abordagem seria de desarmar a outra pessoa psicologicamente (digo, de um estado emocional alterado) e a segunda defender-me de uma arma propriamente dita seja ela qual for, desarmando o oponente.   

 

Para o primeiro tópico podemos nos manter calmos e usar argumentos lógicos (que invoque a racionalidade), tom de voz, respiração, empatia, raport, palavras neutras (que não despertem fatores emocionais) e frases claras (não ambíguas) com pedidos específicos, entendíveis e executáveis; dentro de uma linha de raciocínio que apazígue a situação e reverta a situação de uma maneira positiva para você, etc... enfim, o argumentativo e encadeamento do seu discurso.  
Foge do escopo desta minha resposta explicar como, mas uma sugestão de leitura para entender e se comunicar melhor é o livro "Comunicação não Violenta" (Marshall Bertram Rosenberg – Editora Agora). Tenho o PDF dele (*), quem quiser me mande uma e-mail que eu prontamente te envio - (carlos.espacofuncional@gmail.com). 
(*) - O PDF deste livro está disponível na Internet.

 

O segundo tópico (desarme de armas) depende de vários fatores, entre eles: o tipo da arma (se é de fogo , arma branca – faca, facão, tesoura; se é um pau, uma garrafa, uma cadeira, pedaço de pau, um cabo de madeira maior, corrente, ou outro objeto). 

 

Basicamente para se manter seguro deve-se observar 4 coisas, a saber: gerenciamento de espaço, gerenciamento de tempo, precisão e conhecimento do que estará fazendo. 

 

Antes de esboçar qualquer reação deve-se observar alguns fatores entre eles: distância adequada, timing, precisão, estado emocional dos envolvidos (seu, do oponente(s) e dos demais envolvidos direta ou indiretamente), local (amplo, restrito, confinado, se tem móveis e se estes podem ser usados a seu favor), se existe ou está perto de saídas (portas,  janelas, terraços, garagem, jardim), na escada, se está em local ermo (próximo a matagal, várzea), se está dentro da água (piscina, no mar, rio, lago), grau de iluminação (é de dia ou de noite, se é rua mal iluminada), pessoas que te cercam (seus amigos, “amigos” do agressor), movimentação natural (principalmente a sua capacidade de esconder os movimentos), tipo da abordagem, quantidade de armas envolvidas, como você está (sentado, de pé, deitado, cercado, amarrado, etc.), seu estado emocional (me pegaram de susto, percebi a aproximação, etc.), capacidade e estado físico (sua e do oponente),etc.

De forma geral precisa-se observar o contexto em que as coisas estão acontecendo, tudo isso em “1 segundo”.

 

Outro ponto importantíssimo para ser levado em consideração é sua capacidade criativa, isto é , o quanto você é capaz de formular a melhor resposta naquele momento e de mudar constantemente (sem formar um padrão) caso sua primeira abordagem daquela situação não resolva 100% do problema. O ideal é sempre ter em mente um pensamento fluído e multi-sequencial de quais serão seus possíveis próximos passos (sim, porque se você não sabe o que fazer depois será complicado), e por aí vai…

 

Foge do contexto deste artigo, neste momento, mostrar como aplicar, mas posso resumir (bem condensado) em:
1) Respirar da maneira correta e se acalmar o mais rápido possível (oxigenar melhor o cérebro para ter mais clareza para uma decisão mais assertiva). Para isso temos uma técnica que chamamos de “respiração de recuperação”.
2) Sair da frente: projetar a linha do curso da arma e se posicionando melhor.
3) Ver o que dá para fazer:  aplicar sua estratégia (disse estratégia não golpe) sem envolvimento emocional.  

Parece fácil, afinal de contas são só 3 coisas para fazer, mas está longe de ser simples. No fundo, se se observado os detalhes mencionados, não é só “saber de que arma vou me defender e fazer os golpes”.

De verdade, não dá para fazer qualquer coisa de qualquer jeito, não dá para fazer "coreografia de um golpe” pois cada abordagem é única e a arma é de verdade. Tem que treinar com a mentalidade certa (isto é estar “presente” no que está fazendo) e da forma correta, além de se desapegar de um monte de outras coisas (tema para um próximo artigo), trabalhando principalmente o cérebro, pois é lá que tem que ser rápido. (obs.: a algum tempo atrás escrevi um texto que desmistificava o uso da "força e da velocidade" como primeira ferramenta de combate, está no blog do Espaço Funcional, no endereço:   www.espacofuncional.com.br/blog).

Convido você a ler.   Retornando, cada arma tem um modo de operação: amplitude, formato, usabilidade, distância, maleabilidade, peso, letalidade, etc. Desconhecer isso ou não levar isso em consideração é um erro que pode ser fatal. Outro tópico ignorado é não levar em conta a “possível” habilidade da outra pessoa, que a priori você não sabe qual é, então a regra é esta: não o subestime nem se superestime demais.

 

De forma prática, por exemplo (novamente, muito resumidamente):  se alguém investe com uma arma de fogo (por exemplo: um revolver – que tem características específicas), s primeira coisa é sair da linha de tiro e se posicionar de forma correta de acordo com a forma (está mostrando, apontando, ameaçando, etc.), de forma natural sem que ele perceba que você está fazendo isso. Gerenciar distância neste caso é fundamental.

Se a abordagem for com faca, a estratégia é outra: sempre ir para frente da forma correta e nunca de qualquer jeito (tem que saber o que está fazendo), mas se a abordagem for nas suas costas ou do lado encostando, a estratégia é de mobilidade da parte "tocada" pela lâmina; se a abordagem é com 2 facas (ou faca e pistola – que tem outras características) a estratégia é outra e assim por diante, sempre com continuidade.   

A ideia desta minha resposta não é demonstrar (afinal isto é um texto), mas respeitosamente e, sem desprestigiar a Arte Marcial favorita de quem pratica ou lê está postagem, alertar que existe muito mais coisa além de “reagir” a uma investida. 

Sim, existem muitas coisas que você tem que prestar atenção na hora em que está acontecendo um incidente, como já mencionado. Conhecimento sem prática é fútil, portanto antes de sair fazendo procure um professor realmente qualificado que explicará os fundamentos necessários para se defender de forma segura de cada arma e treine muito. Fundamentos são mais importantes e funcionam sempre, golpes eventualmente podem falhar.

Outro ponto de atenção e que você esteja preparado para receber “uma paulada”, uma “correntada”, um soco ou chute caso sua primeira ação não corresponda exatamente ao que você esperava. Nesta hora a capacidade de recuperação emocional, física e resiliência com foco no objetivo é fundamental para seguir adiante.  

 

Outro ponto de atenção e que você esteja preparado para receber “uma paulada”, uma “correntada”, um soco ou chute caso sua primeira ação não corresponda exatamente ao que você esperava. Nesta hora a capacidade de recuperação emocional, física e resiliência com foco no objetivo é fundamental para seguir adiante.

 

De maneira nenhuma incentivamos idiotices. Se a melhor resposta consciente para sua segurança e para os que estão com você for não fazer nada, excelente... mas se o caso for de perigo eminente de morte, o que você tem a perder? Pense rápido e aja de forma assertiva!   

 

Agora, pense comigo: por mais que estejamos passando por um período de “tenso” qual a probabilidade de acontecer algo se você não der mole ou se expor desnecessariamente? Acho que muito pouca. Se não acredita em mim, divida a quantidade de ocorrências em relação ao número de habitantes no Brasil.

 

Fica a pergunta: onde podemos aplicar todo conhecimento que aprendemos, no caso, na aula de Arte Marcial Russa? (mas poderia ser de seu mestre de confiança)

 

Para todos os que me perguntam repetidamente falo que o maior “benefício” está em você aprender a transportar e aplicar essas informações, de forma adequada a cada contexto, no seu dia a dia. Sim, porque o dia a dia é a vida real. Costumo dizer que “o tatame não é a vida real”, é um lugar onde você treina em uma situação controlada, com seus amigos e professores que te querem bem, em situações específicas, mais ou menos de forma repetida e com duração fixa.  
A vida “real” é lá fora, onde as situações são mutáveis e acontecem imprevistos, onde se fazem escolhas o tempo todo e tem consequências.  

 

Na minha opinião tem pouca serventia um conhecimento que não pode ser (ou não é) aplicável, principalmente em uma situação onde e quando você mais precisa. Algumas aplicações práticas: como se acalmar (você e a outra